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Caldo de favas: a sopa quaresmal com nopales e hortelã

Edmond Bojalil

Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas

Atualizado: 13 de mai. de 2026

Caldo de favas: a sopa quaresmal com nopales e hortelã

O que é?

O caldo de favas —também chamado sopa de favas— é uma sopa vegetariana tradicional do centro do México, elaborada com favas secas amarelas descascadas que se cozinham até desfazer-se, formando um caldo espesso e reconfortante. Condimenta-se com tomate assado, alho, cebola, chile guajillo ou pasilla suave, e completa-se com nopales cortados em tiras, batatas em cubos e, sobretudo, abundante hortelã fresca que lhe dá seu perfil aromático característico. É prato clássico de quaresma e vigília em Hidalgo, Tlaxcala, Estado do México e Puebla, onde substitui as sopas de carne durante os 40 dias prévios à Semana Santa. A Larousse Cocina e El Universal o registram como um dos caldos quaresmais mais enraizados do centro. Doña Ángela em seu canal De Mi Rancho a Tu Cocina o cozinha como parte do receituário rural do Bajío. Seu sabor terroso de leguminosa e frescor de hortelã o tornam único entre as sopas mexicanas.

Origem e história

O caldo de favas tem origem mestiça colonial. As favas (Vicia faba) são leguminosa originária do Mediterrâneo, trazida pelos espanhóis no século XVI e rapidamente adotada pela agricultura indígena nos vales de Puebla, Tlaxcala e Hidalgo, onde o clima frio as favorece. A Larousse Cocina documenta que para o século XVIII as favas já eram parte do receituário novo-hispânico, especialmente como sopas e purês. A combinação com nopales —cactácea pré-hispânica— e hortelã —erva espanhola— reflete perfeitamente a mestiçagem culinária do altiplano. A sopa de favas associa-se tradicionalmente à quaresma católica: durante os 40 dias prévios à Páscoa, o consumo de carne restringe-se e as sopas de leguminosas como favas, grão-de-bico e lentilhas convertem-se em prato forte. El Universal recolhe a receita de Doña Ángela como representativa da versão tradicional de Hidalgo. A indústria da fava descascada e partida —marcas como La Sierra e Verde Valle— mantém o ingrediente acessível em supermercados de todo o país.

Ingredientes característicos

A fava seca usada é a fava descascada amarela (sem casca), que se cozinha sem demolho prévio durante 30 a 40 minutos até desfazer-se parcialmente formando um caldo cremoso. Algumas cozinheiras deixam algumas favas inteiras como tropeço. O caldinho base faz-se com tomate guaje assado, alho e cebola liquidificados e coados. O chile guajillo ou pasilla aporta cor e picância suave. Os nopales —cactáceas Opuntia— cortam-se em tiras finas (juliana de 1 cm de largura), fervem-se à parte com um pouco de bicarbonato e enxáguam-se para retirar a baba, depois incorporam-se ao caldo. As batatas em cubos pequenos acrescentam corpo. A hortelã fresca, ingrediente identitário, incorpora-se no final picada ou em ramos para que perfume sem perder seu frescor. Algumas variantes regionais incluem pulque (em Hidalgo), epazote (na Cidade do México), ou substituem a hortelã por coentro. O caldo serve-se com limão, chile piquín a gosto e tortillas quentes. Na quaresma estrita prepara-se só com água; em outras épocas pode usar-se caldo de frango.

Significado cultural

O caldo de favas é um dos caldos quaresmais emblemáticos do centro do México junto com a sopa de lentilhas, os romeritos e os chiles rellenos de queijo. A tradição católica de evitar carne durante a quaresma mantém-se forte em Hidalgo, Tlaxcala, Puebla e partes do Estado do México, onde o caldo de favas aparece como prato principal em mesas familiares das sextas-feiras quaresmais. A declaração UNESCO 2010 da cozinha tradicional mexicana inclui o corpus de cozinha quaresmal como parte do sistema gastronômico nacional. A própria fava tem presença agrícola forte: o INEGI reporta cultivo significativo em Puebla, Tlaxcala e Estado do México, onde faz parte das milpas associadas ao milho e feijão. Na cultura popular, a sopa de favas aparece em receituários familiares herdados oralmente e em programas como De Mi Rancho a Tu Cocina, que a viralizou entre novas gerações. Também aparece em menus quaresmais de restaurantes como Café Tacuba, El Cardenal e Azul Histórico na Cidade do México. É exemplo de cozinha vegetariana tradicional mexicana muito antes das tendências modernas plant-based.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre caldo de favas e sopa de favas?
São basicamente o mesmo prato. 'Caldo de favas' enfatiza a consistência caldosa com favas parcialmente desfeitas e legumes; 'sopa de favas' usa-se para descrever uma versão mais espessa, quase purê, onde as favas se desfazem completamente. A presença de nopales e hortelã é característica do caldo de favas hidalguense, enquanto a versão espessa sem legumes é mais típica de Puebla ou Tlaxcala.
Qual o sabor do caldo de favas?
Sabe a leguminosa cremosa com notas terrosas, doçura do tomate assado e um fundo de hortelã fresca muito aromático e refrescante. Os nopales aportam acidez vegetal e textura ligeiramente mucilaginosa, as batatas neutralizam o sabor, e o chile guajillo acrescenta cor e picância suave. É uma sopa rústica mas complexa, vegetariana sem parecer incompleta. A hortelã é a assinatura do prato.
Como se serve o caldo de favas?
Serve-se muito quente em prato fundo, com as favas desfeitas formando o caldo cremoso, os nopales e batatas como tropeços e a hortelã no final. Acompanha-se com limão, chile piquín em pó, molho picante a gosto e tortillas de milho quentes. Na quaresma serve-se como prato forte; no resto do ano como entrada. Alguns o acompanham com queijo fresco esfarelado.
De onde é originário o caldo de favas?
É originário do centro do México, com focos fortes em Hidalgo, Tlaxcala, Puebla e Estado do México. É prato mestiço colonial: as favas vêm do Mediterrâneo (século XVI), os nopales são cactáceas pré-hispânicas e a hortelã é erva europeia. A combinação consolidou-se no século XVIII como sopa quaresmal e mantém-se viva no receituário rural do altiplano mexicano.

Fontes consultadas

Edmond Bojalil
Edmond Bojalil

Fundador, Recetas Mexas

Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.

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