Chapulines: os insetos comestíveis emblema de Oaxaca
Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas
Atualizado: 13 de mai. de 2026

O que é?
Os chapulines são gafanhotos comestíveis da espécie Sphenarium purpurascens, recolhidos em milpas de Oaxaca, Puebla e Tlaxcala. Consomem-se tostados no comal com alho, limão, pimenta pasilla e sal, o que lhes dá uma característica cor vermelho-acobreada e um sabor crocante, defumado e ligeiramente cítrico. Constituem um dos petiscos mais representativos da cozinha oaxaquenha e servem-se em mercados como o de Benito Juárez, na capital, junto ao mezcal e ao pulque. A temporada principal vai de maio a outubro, coincidindo com o ciclo de chuvas e a maturidade da milpa, o que historicamente converteu sua recolha numa prática de controle biológico de pragas em cultivos de milho, feijão e alfafa.
Origem e história
A evidência arqueológica do consumo de chapulines na Mesoamérica remonta ao período Formativo, com restos em cavernas de Tehuacán, Puebla, datados há mais de 5.000 anos pelo etnobotânico Richard MacNeish. Frei Bernardino de Sahagún, no Códice Florentino (século XVI), descreve várias espécies de chapulines comestíveis sob o nome náuatle chapolin (chapol = saltar), assinalando seu consumo como alimento cotidiano e de festa. A gob.mx e a SADER reconhecem Oaxaca como principal produtora, com mais de 350 toneladas anuais recolhidas à mão. A industrialização é marginal: a recolha faz-se ao amanhecer, com redes e saias, por famílias zapotecas e mixtecas. No século XXI, chefs como Alejandro Ruiz e Pilar Cabrera os levaram à alta gastronomia, enquanto a chef Olga Cabrera mantém a receita tradicional na região dos Vales Centrais.
Ingredientes característicos
Sphenarium purpurascens é um gafanhoto endêmico do México, de entre 1 e 3 cm. Classifica-se por tamanho: pequeno (recém-nascido, mais tenro), médio e grande (com asas e exoesqueleto mais duro). O processo tradicional implica purgá-los 24 horas, tostá-los no comal de barro com alho amassado, suco de limão, pimenta pasilla moída e sal de gusano. Aportam entre 35% e 70% de proteína por peso seco segundo o estágio de desenvolvimento, além de ferro, cálcio, zinco e ácidos graxos essenciais, segundo estudos do INNSZ e da UNAM. Os chapulines pequenos usam-se como petisco ou recheio de quesadillas; os médios em tacos, guacamole e tlayudas; os grandes em moles e guisados. Em Zaachila e Mitla elaboram-se molhos de chapulín amassado com tomate e pimenta costeño.
Significado cultural
Os chapulines são um dos símbolos gastronômicos de Oaxaca, junto ao mole negro e ao mezcal, e fazem parte do dossiê que levou a UNESCO a inscrever a Cozinha Tradicional Mexicana como Patrimônio Cultural Imaterial em 2010. Sua recolha sustentada por mulheres zapotecas representa uma renda econômica crucial para comunidades rurais: uma coletora pode obter entre 5 e 10 quilos diários em boa temporada. A FAO destacou os chapulines em seus relatórios sobre segurança alimentar e entomofagia (2013), citando-os como modelo de proteína sustentável com baixíssima pegada ecológica frente à pecuária. Festivais como a Feira do Chapulín em Zimatlán e a Guelaguetza incluem pratos baseados neste inseto, e restaurantes oaxaquenhos criaram molhos engarrafados e pós de chapulín que se exportam à Europa e aos Estados Unidos.
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Perguntas frequentes
- Qual o sabor dos chapulines?
- Os chapulines têm um sabor crocante e salgado, com notas defumadas de comal, cítricas pelo limão e picantes pela pimenta pasilla. Sua textura é similar a uma pipoca seca, e o toque de alho aporta um fundo umami. Os pequenos são mais suaves e os grandes mais intensos, quase tostados.
- Como se preparam os chapulines tradicionais de Oaxaca?
- Purgam-se em água 24 horas, enxaguam-se e tostam-se no comal de barro com alho amassado, suco de limão, pimenta pasilla moída e sal. O processo dura uns 10 minutos até que adquiram cor avermelhada. Servem-se como petisco, em tacos, guacamole, tlayudas ou como recheio de quesadillas com queijo Oaxaca.
- É seguro comer chapulines?
- Sim, sempre que se comprem em mercados ou produtores certificados de Oaxaca e se preparem tostados. O cozimento elimina parasitas e reduz alergênicos. Pessoas alérgicas a crustáceos devem evitá-los, já que compartilham quitina. A FAO os recomenda como alimento seguro e nutritivo dentro de programas de entomofagia.
- De onde são originários os chapulines comestíveis?
- São originários dos Vales Centrais de Oaxaca, onde se recolhem em milpas desde tempos pré-hispânicos. Também se consomem em Puebla, Tlaxcala e Hidalgo. O consumo está documentado por Sahagún no século XVI e reconhecido pela SADER como prática tradicional sustentável associada ao cultivo do milho nativo.
Fontes consultadas

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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