Sopa de lima yucateca: o caldo cítrico de frango com tortilla frita
Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas
Atualizado: 13 de mai. de 2026

O que é?
A sopa de lima é um dos caldos mais representativos do receituário yucateco e peninsular. Elabora-se com caldo de frango ou peru (guajolote) muito aromático, suco e rodelas de lima azeda yucateca (Citrus aurantiifolia variedade local) —cítrico endêmico da península, distinto da lima doce e do limão mexicano—, cebola roxa ou branca, tomate, chile dulce ou habanero suave, coentro e, sobretudo, tiras de tortilla de milho frita que se adicionam ao servir para textura crocante. É prato distintivo de Mérida, Valladolid, Tizimín e de toda a península yucateca. Yucatán Today e México Desconocido o registram como um dos símbolos gastronômicos do estado. Seu perfil cítrico fresco o torna ideal para o calor tropical de Yucatán e o diferencia de qualquer outro caldo do receituário nacional. Serve-se como entrada ou como prato forte em menus degustação tradicionais junto com poc chuc, cochinita pibil e panuchos.
Origem e história
A sopa de lima tem origem mestiça maia-espanhola. Os povos maias já consumiam caldos de peru silvestre com ervas locais e cítricos nativos como o limão mexicano antes da chegada dos espanhóis. A lima azeda (Citrus aurantiifolia) chegou à península via o comércio caribenho durante a colônia inicial no século XVI e encontrou condições ideais para aclimatar-se no clima quente de Yucatán, desenvolvendo características aromáticas únicas. A sopa atual documenta-se como tal a partir do século XIX, segundo Yucatán Today, em livros de cozinha crioula yucateca como o de Manuela Navarrete (receituário familiar publicado no fim do XIX). No século XX a sopa de lima consolidou-se como prato turístico quando os hotéis e restaurantes de Mérida a incluíram em seus menus como entrada típica regional. Hoje aparece em cardápios de restaurantes como La Chaya Maya, Néctar, Kuuk e K'u'uk, todos referências da cozinha yucateca contemporânea. A lima azeda yucateca tem inclusive reconhecimento de denominação geográfica em processo por sua singularidade varietal.
Ingredientes característicos
A base é caldo de frango ou peru bem temperado, feito com peças com osso —peito, sobrecoxas, asas— fervidas com cebola, alho, cominho, pimenta-da-jamaica (allspice ou pimienta de Tabasco) e orégano yucateco. As ervas coam-se e o caldo prepara-se à parte com o refogado: cebola roxa ou branca, tomate e chile dulce yucateco (kʼaat ik ou chile habanero suave). O suco da lima azeda yucateca é a assinatura do prato: espreme-se no final do cozimento para evitar que o calor altere o aroma cítrico característico. As rodelas de lima inteira adicionam-se flutuando ao servir. A carne desfia-se fina e incorpora-se. As tortillas de milho cortam-se em juliana de 1 cm e fritam-se em óleo quente até dourar; adicionam-se ao servir para que conservem textura crocante. O coentro fresco incorpora-se picado no final. Variantes: a versão hoteleira usa só frango; a tradicional doméstica usa peru, considerado mais saboroso; algumas famílias adicionam um toque de chile habanero inteiro ao caldo para picância frutada. A sopa final deve ter cor dourada clara, perfume cítrico intenso e textura crocante ao servir.
Significado cultural
A sopa de lima é prato emblema de Yucatán, declarado oficialmente entre os ícones gastronômicos do estado pela Secretaria de Fomento Turístico. Faz parte da 'grande trindade' do receituário yucateco junto com a cochinita pibil e os papadzules. A declaração UNESCO 2010 da cozinha tradicional mexicana inclui implicitamente a cozinha yucateca como uma das cozinhas regionais mais distintivas do corpus nacional. A lima azeda yucateca é além disso ingrediente chave da identidade agrícola peninsular: cultiva-se em povoados como Maxcanú, Oxkutzcab e Akil. Na cultura popular, a sopa de lima aparece em romances regionais e na promoção turística estadual como 'a sopa que não se parece a nenhuma outra'. Chefs como Roberto Solís (Néctar), Pedro Evia (Kuuk) e David Cetina (La Tradición) a reinterpretaram em menus de alta cozinha yucateca contemporânea. Os hotéis boutique de Mérida e da Riviera Maya a servem como boas-vindas culinária a turistas. Também é prato de quaresma quando se substitui o frango por peixe, dando origem à 'sopa de lima de peixe' menos comum mas igualmente apreciada.
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Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre lima azeda yucateca e limão mexicano?
- O limão mexicano (Citrus aurantiifolia) comum em todo o México é pequeno, ácido e muito aromático. A lima azeda yucateca, também Citrus aurantiifolia mas variedade local, tem um aroma mais floral, ligeiramente doce e menos ácido. A lima doce, cítrico distinto, não se usa nesta sopa. Substituir lima azeda por limão normal altera o perfil aromático característico do prato yucateco.
- Qual o sabor da sopa de lima?
- Sabe a caldo de frango ou peru profundo com um perfume cítrico floral muito particular da lima azeda yucateca, frescor do coentro, doçura sutil do chile habanero suave e notas especiadas de pimenta-da-jamaica e orégano yucateco. As tortillas fritas acrescentam textura crocante e sabor de milho tostado. É leve, refrescante, perfeita para o calor tropical, totalmente distinta de qualquer outro caldo mexicano.
- Como se serve a sopa de lima?
- Serve-se quente em prato fundo com o caldo dourado, a carne de frango ou peru desfiada e rodelas de lima flutuando. Logo antes de servir adicionam-se as tiras de tortilla frita crocantes e coentro picado. Acompanha-se com tortillas quentes, molho de chile habanero (xnipek ou chiltomate) e meia lima extra para espremer a gosto. É entrada ou prato forte leve, especialmente popular como almoço em clima quente.
- De onde é originária a sopa de lima?
- É originária de Yucatán, com epicentro em Mérida e estendida a toda a península (Campeche e Quintana Roo). É prato mestiço maia-espanhol: combina técnica de caldo de peru pré-hispânico com a lima azeda trazida pelos espanhóis via o Caribe no século XVI. Consolida-se em receituários crioulos yucatecos do século XIX e populariza-se turisticamente no XX como ícone regional.
Fontes consultadas

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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