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Oreja de cantaria: cogumelo ostra silvestre mexicano

Edmond Bojalil

Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas

Atualizado: 13 de mai. de 2026

Oreja de cantaria: cogumelo ostra silvestre mexicano

O que é?

A oreja de cantaria é um cogumelo silvestre comestível pertencente à espécie Pleurotus djamor, conhecida também como cogumelo ostra rosado, cogumelo rosa ou cogumelo de san juan. Recebe seu nome pela forma de seus carpóforos, planos e em forma de orelha ou leque, que crescem agrupados sobre troncos e ramos mortos de árvores tropicais e subtropicais. Sua característica cor rosada ou salmão, especialmente quando é jovem, o torna facilmente identificável e atrativo. Recolhe-se em florestas de Veracruz, Oaxaca, Estado do México, Puebla e Chiapas durante a temporada de chuvas e às vezes fora dela em climas úmidos. É um dos poucos cogumelos silvestres mexicanos também cultivado em escala comercial, graças à sua rápida produção e à sua adaptação a substratos como palha e restolho de milho. A oreja de cantaria faz parte do rico patrimônio micológico do México e consome-se guisada, em mixiotes, quesadillas e caldos.

Origem e história

O consumo de cogumelos do gênero Pleurotus no México está documentado desde tempos pré-hispânicos. Sahagún registra no Códice Florentino diversos cogumelos lignícolas (que crescem sobre madeira) consumidos pelos mexicas, possivelmente incluídos Pleurotus djamor e espécies afins. O etnomicólogo Gastón Guzmán descreveu amplamente este gênero em seus trabalhos de campo no sudeste mexicano, onde recebem nomes regionais como oreja de cantaria, oreja blanca, seta rosa ou nanácatl em náuatle. O nome cantaria provém do espanhol, provavelmente em alusão ao som ao partir-se as orelhas frescas ou à sua forma de pequenas trombetas, embora também possa derivar de cântaro por sua forma curva. No sudeste mexicano, em Veracruz e Oaxaca, foi aproveitado por povos totonacas, nahuas e zapotecas. A SADER, através do INIFAP, documenta o cultivo controlado de Pleurotus djamor como uma alternativa produtiva para zonas tropicais mexicanas, aproveitando resíduos agrícolas como substrato. Seu valor culinário e nutricional foi revalorizado na cozinha mexicana contemporânea.

Ingredientes característicos

Pleurotus djamor é um cogumelo basidiomiceto da família Pleurotaceae que cresce sobre troncos e ramos mortos de árvores tropicais e subtropicais. Seus chapéus têm forma de orelha, leque ou concha, medem entre 5 e 15 centímetros de diâmetro e dispõem-se em grupos imbricados, uns sobre os outros. A cor do chapéu varia do rosa salmão intenso em cogumelos jovens ao bege rosado ou branco nos maduros. Suas lamelas são brancas e decorrentes (prolongam-se pelo pé), e seu pé é curto e excêntrico. A carne é branca, firme quando jovem e mais fibrosa quando madura. O sabor é delicado, adocicado e ligeiramente frutado, lembrando o dos cogumelos europeus mas com um perfil único. Na cozinha veracruzana e oaxaquenha prepara-se guisado com epazote, alho e banha; em quesadillas de massa com coentro e queijo; em mixiotes com pimenta guajillo e urucum; ou salteado com cebola e pimenta serrano. Também se utiliza em sopas com massa e em preparações vegetarianas como substituto de carne.

Significado cultural

A oreja de cantaria é um emblema da riqueza micológica do sudeste mexicano e um ingrediente cada vez mais visível na cozinha contemporânea. Seu cultivo comercial, impulsionado por instituições como o INIFAP e por cooperativas rurais em Veracruz, Puebla, Oaxaca e Tabasco, permitiu converter um cogumelo tradicional silvestre numa alternativa produtiva sustentável, especialmente para comunidades rurais que aproveitam restolho de milho como substrato. Faz parte do patrimônio etnomicológico inscrito implicitamente na cozinha tradicional mexicana reconhecida pela UNESCO em 2010. Pesquisas do Colegio de Posgraduados e do INECOL destacam seu valor nutricional: é rico em proteína (20 a 30% em peso seco), fibra dietética, vitaminas do grupo B e minerais como zinco e selênio. No contexto da cozinha vegetariana e vegana mexicana contemporânea, a oreja de cantaria ganhou popularidade como alternativa proteica à carne, graças à sua textura fibrosa e sabor suave que se presta a guisados, tacos e preparações tipo churrasco vegetal.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre oreja de cantaria e outros cogumelos ostra?
A oreja de cantaria é a variedade rosada dos cogumelos ostra (Pleurotus djamor), com uma característica cor salmão quando é jovem. Outros cogumelos ostra como o Pleurotus ostreatus são acinzentados ou marrons e crescem em climas temperados, enquanto a oreja de cantaria prospera em climas tropicais e subtropicais. Seu sabor é ligeiramente mais frutado e doce que o dos ostras europeus.
Qual o sabor da oreja de cantaria?
Tem um sabor delicado, ligeiramente doce e com um fundo frutado característico. A textura é carnuda e fibrosa, parecida com um peito desfiado, o que a torna ideal para preparações vegetarianas. Não é amargo nem picante. Combina muito bem com epazote, alho, pimenta guajillo, coentro, banha e urucum em preparações tradicionais do sudeste mexicano.
Como se serve a oreja de cantaria?
Prepara-se guisada com epazote, alho e banha; em quesadillas de massa azul; em mixiotes com urucum e pimenta guajillo; salteada com cebola e pimenta serrano; ou como base de tacos vegetarianos desfiada ao estilo churrasco. Em Veracruz incorpora-se a caldos com massa de milho e em Oaxaca acompanha tlayudas. Também se utiliza em empanadas e sopas tradicionais do sudeste.
De onde é originária a oreja de cantaria?
É originária de regiões tropicais e subtropicais da América, África e Ásia. No México cresce silvestre em florestas úmidas do sudeste, especialmente em Veracruz, Oaxaca, Chiapas, Puebla e no Estado do México, sobre troncos mortos de árvores tropicais. Também se cultiva comercialmente em muitas regiões do país aproveitando resíduos agrícolas como substrato para sua produção durante todo o ano.

Fontes consultadas

Edmond Bojalil
Edmond Bojalil

Fundador, Recetas Mexas

Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.

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