Atole de cajeta: receita com doce de leite de Celaya
Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas
Atualizado: 13 de mai. de 2026

O que é?
O atole de cajeta é uma bebida quente mexicana cremosa feita à base de cajeta, o famoso doce de leite de cabra de Celaya, Guanajuato. Combina-se com leite integral, canela em rama e um espessante de fécula de milho para criar uma bebida densa, profundamente doce e aromática, com notas de caramelo e leite caramelizado. É um dos atoles emblema do Bajío mexicano, especialmente em Guanajuato, Querétaro e Aguascalientes, onde a cajeta tem denominação de origem artesanal. Serve-se durante as festividades de fim de ano, nas posadas de dezembro, em feiras regionais e como bebida reconfortante em manhãs frias. Seu caráter guloso o converte em favorito de crianças e dos amantes do doce de leite.
Origem e história
A cajeta de Celaya é produto colonial documentado desde o século XVII nos conventos franciscanos da cidade. Elabora-se cozinhando leite de cabra com açúcar e bicarbonato até caramelizar, técnica herdada das doçarias espanholas e adaptada com a abundância local de cabras no altiplano guanajuatense. O atole, por sua vez, é uma bebida pré-hispânica registrada por Sahagún no século XVI. Sua união, o atole de cajeta, surge como variante do Bajío no século XIX, quando a cajeta se industrializa e se torna produto de consumo massivo graças às cajetas Coronado, fundada em 1890 em Celaya, e às fábricas tradicionais que ainda operam no centro histórico. A Larousse Cocina documenta este atole como representativo da confeitaria bajío-crioula. A denominação de origem 'Cajeta de Celaya' foi reconhecida pela Secretaria de Economia mexicana em 2007, protegendo as técnicas artesanais de elaboração.
Ingredientes característicos
A cajeta é o ingrediente protagonista e existe em três variedades principais: queimada (mais escura e caramelizada), com vinho (envinada, com vinho ou conhaque) e baunilha (mais suave). Para o atole prefere-se a queimada por sua intensidade. O leite integral é a base líquida; algumas receitas o substituem parcialmente por leite evaporado para maior cremosidade. A fécula de milho, dissolvida em leite frio, é o espessante habitual (duas colheres por litro). A canela em rama infusiona-se durante todo o cozimento, equilibrando a doçura com um toque cálido. A proporção típica é cento e cinquenta gramas de cajeta por litro de leite. Algumas famílias do Bajío adicionam uma pitada de bicarbonato para realçar a cor caramelo. Cozinha-se em fogo médio-baixo mexendo constantemente com colher de pau para evitar que a cajeta grude no fundo da panela. A textura ideal cobre o dorso da colher. Variantes contemporâneas incorporam noz-pecã picada ou bolacha Maria moída como guarnição.
Significado cultural
O atole de cajeta é símbolo do Bajío mexicano e da cultura cabreira de Celaya. A cidade celebra a cada ano a Feira da Cajeta, onde o atole é protagonista junto às paletas, aos caramelos e às crepes com cajeta. A cajeta conta com denominação de origem mexicana desde 2007, o que a protege como produto de identidade regional. A indústria cajeteira de Guanajuato sustenta mais de quinhentas famílias entre pecuaristas cabreiros, doceiros artesanais e comercializadores, com produção anual estimada em quatro mil toneladas segundo dados da Sader. O atole de cajeta participa também em posadas, pastorelas e cafés da manhã natalinos de toda a região. A cozinha tradicional mexicana, declarada Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO em 2010, reconhece a cajeta e seus derivados como parte do patrimônio gastronômico nacional. Gerações de famílias guanajuatenses transmitiram oralmente a receita do atole de cajeta como parte de sua identidade cultural.
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Perguntas frequentes
- Qual o sabor do atole de cajeta?
- Sabe a doce de leite de cabra recém-cozido, com um caramelo profundo, ligeiras notas lácteas de queijo de cabra e um fundo cálido de canela. A textura é densa, cremosa e aveludada. A doçura é marcada mas equilibrada pela nota ligeiramente amarga do leite caramelizado, o que lembra o toffee inglês misturado com leite quente especiado.
- De onde é originária a cajeta?
- A cajeta é originária de Celaya, Guanajuato, onde se elabora desde o século XVII em conventos coloniais. Conta com denominação de origem mexicana outorgada em 2007 pela Secretaria de Economia. Só a cajeta produzida em municípios específicos de Guanajuato seguindo técnicas tradicionais com leite de cabra pode chamar-se legalmente cajeta de Celaya.
- Qual a diferença entre cajeta e doce de leite?
- A cajeta elabora-se com leite de cabra, o que lhe dá um perfil mais complexo e ligeiramente queijoso; o doce de leite argentino e uruguaio faz-se com leite de vaca, resultando mais neutro e doce. A cajeta é mais escura pela caramelização intensa com bicarbonato. Ambos compartilham origem colonial mas pertencem a tradições culinárias distintas.
- Como se serve o atole de cajeta?
- Serve-se muito quente em xícara grande ou jarro de barro, acompanhado de pão doce, conchas, cuernos recheados ou biscoitos de manteiga. Nas posadas de dezembro distribui-se junto com tamales. Algumas atolerias o decoram com um fio de cajeta extra por cima e noz picada. É bebida típica de inverno entre novembro e fevereiro no Bajío mexicano.
Fontes consultadas

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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