Pimenta costeño vermelho: a pimenta seca da costa oaxaquenha
Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas
Atualizado: 13 de mai. de 2026

O que é?
A pimenta costeño vermelho é uma pimenta seca regional da Costa Chica de Oaxaca e Guerrero, valorizada por seu sabor profundo e sua picância moderada-alta. É alongada, mede entre 6 e 8 cm, tem forma pontuda e cor vermelho-escura brilhante ou vinosa. Pertence à espécie Capsicum annuum e cultiva-se em pequenas parcelas da costa oaxaquenha, onde o clima quente e úmido favorece suas qualidades aromáticas. Sua picância é moderada-alta (15000-30000 unidades Scoville). Aporta sabor frutado com notas de frutas vermelhas e um toque herbáceo. Usa-se principalmente em moles oaxaquenhos regionais, molhos costeños, adobos e caldos, e vende-se sobretudo nos mercados locais de Pinotepa Nacional, Jamiltepec, Pochutla e Puerto Escondido.
Origem e história
A pimenta costeño é uma das pimentas regionais mais representativas da cozinha afro-mestiça e indígena da Costa Chica de Oaxaca e Guerrero. Seu cultivo remonta a tempos pré-hispânicos, quando os povos mixtecos e chatinos da costa a semeavam em milpas familiares. A cozinha da costa oaxaquenha, profundamente influenciada por aportes mixtecos, chatinos, afro-mexicanos e mestiços, conserva o costeño vermelho como ingrediente identitário. A Larousse Cocina e o Diccionario Enciclopédico de la Gastronomía Mexicana o identificam como ingrediente-chave dos moles costeños e de algumas variantes do mole amarelo e do chichilo da Sierra Mixe. A CONABIO documenta seu pertencimento ao acervo de pimentas nativas mexicanas. A SADER o reconhece como pimenta regional de Oaxaca com potencial de denominação de origem. Sua produção artesanal sustenta a economia de pequenas comunidades indígenas e afro-mexicanas da costa, com técnicas de secagem ao sol herdadas de geração em geração.
Ingredientes característicos
A pimenta costeño vermelho é um Capsicum annuum cultivado tradicionalmente em pequenas milpas da Costa Chica oaxaquenha. Colhem-se os frutos quando atingem vermelho intenso, e secam-se ao sol durante vários dias até que a pele fique crocante e brilhante. Tem forma alongada e pontuda (6-8 cm), pele lisa com certo brilho e cor vermelho-profunda. Sua picância é moderada-alta (15000-30000 SHU), acima do guajillo e abaixo da de árbol. Seu sabor aporta notas frutadas de frutas vermelhas secas, um toque herbáceo e uma adstringência ligeira. Para usá-la retiram-se veias e sementes, tosta-se brevemente no comal (cuidado com a queima) e hidrata-se em água quente uns 15 minutos. Depois liquidifica-se com tomate e alho para fazer adobos e molhos. Combina muito bem com chilcostle, costeño amarelo e outras pimentas regionais para preparar moles oaxaquenhos. É ingrediente-chave do molho costeño com tomate assado e utiliza-se em caldos de peixe e frutos do mar típicos da costa.
Significado cultural
A pimenta costeño vermelho faz parte do repertório de pimentas nativas que sustentam a cozinha oaxaquenha, reconhecida como parte da cozinha tradicional mexicana inscrita pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial. É ingrediente identitário da Costa Chica oaxaquenha, onde sua produção e comércio em mercados locais como o de Pinotepa Nacional e Jamiltepec mantêm viva a cultura culinária afro-mestiça e indígena. É essencial nos moles costeños e aparece em variantes dos sete moles de Oaxaca quando há escassez de chilhuacle ou chilcostle. A SADER e a CONABIO destacam seu valor genético como parte da diversidade de pimentas nativas. Sua produção artesanal sustenta famílias mixtecas, chatinas e afro-mexicanas da costa, numa economia rural onde a pimenta seca se vende por quilos a intermediários e restaurantes oaxaquenhos. Na cozinha contemporânea, chefs oaxaquenhos como Alejandro Ruiz e Olga Cabrera a resgatam em propostas que reivindicam as pimentas regionais frente à homogeneização do mercado nacional.
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Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre pimenta costeño vermelho e pimenta guajillo?
- Ambas são pimentas secas vermelhas alongadas de Capsicum annuum, mas procedem de variedades distintas e cultivam-se em regiões diferentes. O costeño vermelho é menor (6-8 cm), mais picante (15000-30000 SHU) e procede da costa oaxaquenha. O guajillo é maior (10-15 cm), menos picante (2500-5000 SHU) e cultiva-se no Bajío. Seus perfis aromáticos são distintos: o costeño é mais herbáceo e frutado, o guajillo mais cítrico.
- Qual o sabor da pimenta costeño vermelho?
- Aporta um sabor frutado e profundo com notas de frutas vermelhas secas, um toque herbáceo e uma adstringência ligeira muito característica. Sua picância é moderada-alta (15000-30000 unidades Scoville), mais intensa que o guajillo mas mais administrável que a de árbol. Quando se tosta brevemente desenvolve aromas doces e caramelizados que enriquecem moles e molhos costeños.
- Como se usa a pimenta costeño vermelho?
- Retiram-se veias e sementes, tosta-se levemente e hidrata-se em água quente uns 15 minutos antes de liquidificar. É base de moles oaxaquenhos regionais, molho costeño com tomate assado, adobos para peixe e carne, e caldos típicos da costa. Costuma ser combinada com costeño amarelo, chilcostle ou guajillo para obter moles complexos. Na cozinha cotidiana da Costa Chica acompanha peixes e frutos do mar.
- De onde é originária a pimenta costeño vermelho?
- É originária da Costa Chica de Oaxaca e Guerrero, onde se cultiva tradicionalmente em pequenas milpas familiares por comunidades mixtecas, chatinas e afro-mexicanas. A SADER a reconhece como pimenta regional oaxaquenha com potencial de denominação de origem. Sua produção artesanal mantém técnicas pré-hispânicas de secagem ao sol e faz parte do acervo de pimentas nativas mexicanas documentado pela CONABIO.
Fontes consultadas

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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