Popo: bebida espumosa de cacau da Sierra de Sotavento
Edmond Bojalil · Fundador, Recetas Mexas
Atualizado: 13 de mai. de 2026

O que é?
O popo é uma bebida fria tradicional espumosa originária da Sierra de Sotavento, região montanhosa que o sul de Veracruz e o norte de Oaxaca compartilham. Prepara-se com cacau tostado e moído, milho branco cozido, raiz de cipó chupipi (Gouania lupuloides) e açúcar, tudo moído finamente e batido com água fria até criar uma característica espuma branca densa que cobre toda a superfície do jarro. O cipó chupipi é o elemento secreto que diferencia o popo de outras bebidas espumosas mesoamericanas como o tejate ou o chilate: contém saponinas naturais que geram uma espuma especialmente firme e duradoura. É bebida ritual e festiva das comunidades nahuas, popolucas e mixteco-zapotecas da região. Consome-se principalmente em municípios como Acayucan, San Andrés Tuxtla, Tuxtepec, Mecayapan e Soteapan, com presença ritual em festas patronais e celebrações do Dia dos Mortos.
Origem e história
O popo é uma das bebidas pré-hispânicas menos conhecidas mas mais sofisticadas do México, com presença documentada desde tempos olmecas na região da Sierra de Sotavento. Seu nome provém possivelmente do náuatle 'popochtli' que significa 'oco' ou 'espumoso'. As comunidades popolucas (descendentes dos olmecas) e nahuas do sul de Veracruz o prepararam durante séculos como bebida ritual e comunitária. A Larousse Cocina o identifica como bebida característica da Sierra de Sotavento. O conhecimento do cipó chupipi e sua capacidade espumante é uma das contribuições etnobotânicas mais interessantes dos povos mesoamericanos ao repertório gastronômico continental. A colheita e preparação do cipó requer conhecimento tradicional específico transmitido oralmente; o cipó colhe-se da selva tropical, seca-se ao sol e mói-se finamente. A receita do popo permaneceu quase inalterada desde a era pré-hispânica, sobrevivendo à Conquista graças a seu caráter ritual e comunitário integrado nas celebrações religiosas sincréticas da região.
Ingredientes característicos
O popo requer ingredientes específicos não fáceis de conseguir: cacau crioulo tostado de Tabasco ou Chiapas, milho branco cozido (não nixtamalizado nesta receita), açúcar e cipó chupipi seco e moído (Gouania lupuloides, também chamado pau de três costelas ou jaboncillo). O cipó é o ingrediente insubstituível: suas saponinas naturais geram a espuma característica ao ser batido vigorosamente. Algumas variantes regionais adicionam canela, baunilha ou pimenta. A preparação é trabalhosa: todos os sólidos moem-se finamente no metate ou moinho até obter pasta uniforme. A pasta dissolve-se com pouca água fria e bate-se energicamente com as mãos ou com jícara especial durante vários minutos, até formar abundante espuma branca que sobe e se sustenta na parte superior. Depois completa-se com mais água fria. Serve-se frio em jícaras de cabaça ou copos altos transparentes, deixando a coroa de espuma intacta para apreciação visual. A proporção típica é cento e cinquenta gramas de cacau, cem gramas de milho cozido, uma colher de cipó chupipi em pó e açúcar a gosto por dois litros de água. O sabor resulta cremoso, amargo-doce de cacau com notas de milho cozido e um fundo vegetal suave do cipó.
Significado cultural
O popo é uma das bebidas mais identitárias e menos conhecidas do patrimônio pré-hispânico vivo do México. A cozinha tradicional mexicana, Patrimônio Cultural Imaterial UNESCO desde 2010, identifica o popo como bebida representativa da Sierra de Sotavento veracruzana e oaxaquenha. É indispensável em festividades patronais, Dia dos Mortos, casamentos e rituais agrícolas das comunidades popolucas, nahuas e mixteco-zapotecas dos municípios de Acayucan, San Andrés Tuxtla, Soteapan, Mecayapan, Tatahuicapan e Tuxtepec. A preparação do popo sustenta economias familiares de mulheres indígenas, conhecidas como 'popoteras', que o preparam para festividades comunitárias e mercados regionais. O conhecimento botânico sobre o cipó chupipi é patrimônio etnobotânico transmitido oralmente durante gerações. Pesquisadores do CIESAS e do Museu de Culturas Populares documentaram o popo como uma das expressões mais complexas do legado culinário mesoamericano, mostrando sofisticação técnica notável. O INAH e o Instituto Veracruzano de Cultura impulsionaram projetos de documentação e difusão para garantir a sobrevivência da tradição perante o envelhecimento das gerações que conservam o conhecimento.
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Perguntas frequentes
- Qual o sabor do popo?
- Sabe a cacau tostado com um fundo cremoso de milho cozido e notas vegetais suaves do cipó chupipi. É ligeiramente amargo e doce ao mesmo tempo pelo açúcar. A textura é untuosa com uma espuma densa flutuante de sabor neutro. Lembra distantemente um chocolate frio rústico mas com uma complexidade vegetal única dada pelo cipó. Não é uma bebida intensa, mas sutil e refinada, com perfil de gastronomia ritual antiga.
- O que é o cipó chupipi?
- É uma liana tropical (Gouania lupuloides) que cresce nas selvas úmidas da Sierra de Sotavento. Seus talos secos contêm saponinas naturais que geram abundante espuma ao serem batidos em água, propriedade similar à do jaboncillo. Por isso às vezes o chamam 'pau de três costelas' ou 'cipó jaboncillo'. É ingrediente insubstituível do popo autêntico; sem ele a bebida não desenvolve a espuma característica que a define visualmente.
- De onde é originário o popo?
- É originário da Sierra de Sotavento, região montanhosa entre o sul de Veracruz e o norte de Oaxaca habitada por comunidades nahuas, popolucas (descendentes dos olmecas) e mixteco-zapotecas. Municípios como Acayucan, San Andrés Tuxtla, Tuxtepec, Soteapan, Mecayapan e Tatahuicapan são centros tradicionais de sua elaboração. Suas raízes pré-hispânicas remontam aos povos olmecas, considerados cultura-mãe da Mesoamérica.
- Qual a diferença entre popo, tejate e chilate?
- As três são bebidas frias pré-hispânicas espumosas com cacau, mas pertencem a tradições distintas: o popo é veracruzano-oaxaquenho e leva cipó chupipi para espumar; o tejate é oaxaquenho e leva flor de cacau e pixtle; o chilate é guerrerense-afro-mexicano e leva arroz e canela. Cada um expressa a identidade cultural específica de sua região de origem, mostrando a riqueza de variantes regionais mesoamericanas.
Fontes consultadas

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.000 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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