
Calendário das festas mexicanas e o que se cozinha em cada uma, mês por mês
Rosca em janeiro, tamales em fevereiro, chiles en nogada em setembro, pan de muerto em novembro e ponche em dezembro: o ano mexicano tem prato marcado, e quase todos dão no Brasil.
A cozinha mexicana é sazonal de um jeito muito específico: não pela safra, e sim pelo calendário religioso e cívico. Há pratos que praticamente não se comem fora da sua data, e saber a data é a diferença entre cozinhar um prato e entender por que ele existe.
Este é o ano inteiro, mês por mês, com o que se cozinha em cada marco. Duas datas costumam ser mal entendidas fora do México, e já tratamos delas em detalhe em Cinco de Mayo não é a independência do México.
Janeiro — Día de Reyes, dia 6
O prato: rosca de reyes, um pão doce em forma de anel, decorado com frutas cristalizadas e açúcar, com um bonequinho de plástico escondido dentro. Quem encontra o boneco na sua fatia fica encarregado dos tamales do dia 2 de fevereiro — e isso não é brincadeira solta: é um compromisso que se cobra.
Bebe-se com chocolate quente ou champurrado.
Fevereiro — Día de la Candelaria, dia 2
O prato: tamales, em quantidade industrial, pagos por quem achou o boneco na rosca. É provavelmente o dia em que mais tamal se come no mundo.
Receitas por tipo: verdes de frango, vermelhos de porco, oaxaquenhos de mole (embrulhados em folha de bananeira, não em palha de milho), de rajas com queijo e doces.
Fevereiro-março — Carnaval e início da Quaresma
O Carnaval mexicano é forte em Veracruz e em Mazatlán, e a comida é de rua: antojitos, marisco, esquites. A Quarta-feira de Cinzas abre a Quaresma, e aí o calendário muda de verdade.
Março-abril — Quaresma e Semana Santa
Sem carne vermelha nas sextas-feiras, a cozinha mexicana resolve com peixe seco, camarão seco, legumes e engenhosidade. Os pratos da estação:
Tortitas de camarón seco em molho de chile — o prato quaresmal por excelência. Capirotada, uma sobremesa de pão, calda de piloncillo, queijo e frutas secas que só se faz nesta época. Caldo de favas para a Quaresma e chiles rellenos de queijo.
Maio — Cinco de Mayo (dia 5) e Día de las Madres (dia 10)
O 5 de maio comemora a Batalha de Puebla, não a independência. Em Puebla come-se mole poblano, que é o prato da cidade. No resto do México a data passa quase em branco — a festa grande do 5 de maio acontece nos Estados Unidos.
O Dia das Mães, dia 10 (data fixa, não domingo), é uma das maiores datas gastronômicas do país: mole, pozole e carnitas em casa cheia.
Julho a setembro — temporada de chiles en nogada
Chiles en nogada é o único prato mexicano com temporada declarada: existe de meados de julho ao fim de setembro, porque depende de três ingredientes que só coincidem nesses meses — a noz-de-castela fresca, a romã e o pêssego criollo. Chile poblano recheado de picadillo de carne com fruta, coberto de creme de noz e romã. As três cores da bandeira, e é por isso que ele pertence a setembro.
Setembro — Independência, noites de 15 e 16
A festa é na noite do dia 15 (o Grito) e o feriado é no 16. É a mesa mais patriótica do ano: pozole em panela grande, chiles en nogada, tacos, tostadas e tequila ou mezcal.
Pozole é o prato de festa coletiva mexicano: faz-se para 20 pessoas, serve-se com rabanete, alface, orégano, limão e tostada à parte, e cada um monta o seu.
Outubro-novembro — Día de Muertos, 1 e 2 de novembro
A data mais importante do calendário gastronômico mexicano, e a mais mal compreendida de fora: não é Halloween, não é tristeza e não é festa de fantasia. É uma refeição com os mortos, e a comida é literalmente posta na mesa (o altar) para eles.
O que se cozinha: pan de muerto — pão doce com ossinhos de massa em cima e perfume de flor de laranjeira —, mole negro em Oaxaca, tamales, atole, abóbora em calda (calabaza en tacha) e caveirinha de açúcar. No altar vão também a comida e a bebida que o morto gostava, o que faz de cada altar um menu pessoal.
12 de dezembro — Virgen de Guadalupe
Peregrinação, e comida de peregrinação: tamales, atole e ponche quente servidos em quantidade nas ruas e nos atrios de igreja durante a noite do dia 11 para o 12.
16 a 24 de dezembro — as posadas
Nove noites de festa de casa em casa, cada uma com a mesma mesa: ponche de frutas quente (com tejocote, goiaba, maçã, cana-de-açúcar, tamarindo e canela — "con piquete" se levar álcool), buñuelos, tamales e atole.
24 de dezembro — Nochebuena
A ceia é no dia 24 à noite, não no 25 ao meio-dia. O que vai à mesa, com variação regional forte: bacalhau à vizcaína, romeritos em mole com camarão seco, peru, salada de maçã e ponche. É a mesa mexicana com mais influência espanhola do ano.
Resumo do ano
| Data | Festa | Prato |
|---|---|---|
| 6 de janeiro | Día de Reyes | Rosca de reyes, chocolate quente |
| 2 de fevereiro | La Candelaria | Tamales (pagos por quem achou o boneco) |
| Quaresma | Sextas sem carne | Tortitas de camarón, capirotada, chiles rellenos |
| 5 de maio | Batalha de Puebla | Mole poblano (sobretudo em Puebla) |
| 10 de maio | Día de las Madres | Mole, pozole, carnitas |
| Jul a set | Temporada | Chiles en nogada |
| 15 e 16 de setembro | Independência | Pozole, chiles en nogada, tacos |
| 1 e 2 de novembro | Día de Muertos | Pan de muerto, mole, tamales, atole |
| 12 de dezembro | Virgen de Guadalupe | Tamales, atole, ponche |
| 16 a 24 de dezembro | Posadas | Ponche, buñuelos, tamales |
| 24 de dezembro | Nochebuena | Bacalhau, romeritos, peru, ponche |
Perguntas frequentes
Dá para fazer essas receitas no Brasil fora de época?
Quase todas, sim. As exceções reais são os chiles en nogada (dependem de noz fresca e romã) e qualquer coisa com tejocote, que não existe no mercado brasileiro — maçã verde e goiaba cobrem o ponche.
Qual é a festa mais "comível" do calendário?
A Candelaria, dia 2 de fevereiro: é um dia inteiro dedicado a um único prato, e o tamal tem dezenas de variações regionais.
Onde comer isso no Brasil nessas datas?
Vale conferir as agendas das casas mexicanas da sua cidade: nas fichas dos restaurantes mexicanos que mapeamos no Brasil há site e telefone, e Día de Muertos e Independência são as duas datas em que mais costumam montar menu especial.

Fundador, Recetas Mexas
Mexicano de Puebla, profissional de TI e amante da boa comida. Autor de mais de 1.250 receitas mexicanas autênticas adaptadas para cozinhas do mundo todo. Mora em Madri desde 2018.
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